Jovem será o primeiro platinense astrônomo

 Já iniciou o curso no Campus da USP no bairro Butantã em São Paulo

O platinense Carlos Henrique Soares da Silva (fotos), 20 anos, filho do casal Maria Ângela Soares da Silva e Carlos Alberto da Silva (foto), residentes na Chácara São Luiz, no Bairro Palmital, conseguiu o fato expressivo de ser aprovado de primeira em dois vestibulares na USP(Universidade de São Paulo), tida como uma das melhores do Brasil e da América Latina e também a 115ª do mundo.

Orgulho da família, o Npdiario entrevistou o futuro Astrônomo norte-pioneirense para conhecer a trajetória do estudante na conquista de uma das 20 vagas disponibilizadas ao ano pela USP no curso de Astronomia e conhecer sua trajetória de sucesso e a rotina de estudos.

Leia a entrevista abaixo:

Npdiario: Como foi sua vida de estudante até chegar na USP?

Carlos Henrique: Sempre morei na Chácara e, na zona rural, a gente acorda cedo, daí eu já estudava de manhã. Em Santo Antônio da Platina, a maior parte da minha formação básica foi na Escola Santa Terezinha. Sempre tive como objetivo cursar o ensino médio no Instituto Federal do Paraná (IFPR), em Jacarezinho.

Uma das minhas paixões é a computação e daí fiz o curso Técnico em Computação lá. Aprendi muito no IFPR e, durante o curso, foquei meus estudos desde o primeiro ano para aprovação numa universidade pública. Terminei o ensino médio em 2021 e já me inscrevi nos vestibulares tanto pelo ENEN como pelo sistema tradicional, que é o da FUVEST.

Depois dessa dedicação, fui aprovado pelos dois sistemas. Não prestei vestibulares em outros locais porque no Brasil só tem 3 universidades que disponibilizam o curso de Astronomia (São Paulo, Rio de Janeiro e Sergipe). Aí foquei na USP e optei por concentrar meus estudos nela para as aprovações.

NP: Você disse que uma das suas paixões é a computação e você foi aprovado também na USP para Ciências da Computação, mas então como surge o interesse pela faculdade de Astronomia?

Carlos Henrique: Durante a pandemia fiquei isolado na minha casa. Eu respeitei muito o “fique em casa” e não saía pra nada e estudava enquanto isso. Na Chácara onde vivemos o céu pode ser observado muito bem. Não tem barulho e nem iluminação intensa.

Um dia teve uma chuva de meteoros e eu assisti tudo aquilo da minha janela. Fiquei fascinado pelo fenômeno e resolvi naquele momento estudar a grandeza do universo e o curso adequado é a Astronomia. Aí me inscrevi em grupos de astrônomos e passei a seguir perfis atuantes na área.

Isso me ampliou as ideias e decidi que ia ser astrônomo. Também, um pouco antes da pandemia estourar, o IRP fez uma excursão para levar os alunos em São Paulo e eu fui. Visitamos a USP e quando vi o instituto de Astronomia, que hoje é onde eu estudo, simplesmente me encantei. A USP incentiva muito a pesquisa e esse desafio de achar um lugarzinho para mim lá passou a ser diário.

Claro, eu sabia que teria que enfrentar um vestibular difícil e as vagas eram poucas apenas 20 por ano, mas o método era um só: estudar, focar e enfrentar muitas horas de estudo sozinho. Eu tenho uma característica pessoal: quando eu quero, eu corro atrás do resultado. E foi o que eu fiz até ser aprovado.

NP: Qual seu sentimento de ser aprovado  na melhor universidade do Brasil saindo da zona rural de Santo Antõnio da Platina?

Carlos Henrique: A minha felicidade é muito grande e o requisito é a dedicação. Pretendo ser um bom profissional e ajudar muito minha família. Agora, como já estou matriculado, vi o quanto estou no lugar certo. O campus da USP é muito completo, têm muitos pesquisadores e o ambiente é o melhor possível.

A única dificuldade está sendo morar sozinho, mas estou me virando bem. Sempre morei em Santo Antônio da Platina, com meus pais e minha irmã, e a mudança para São Paulo é radical. Muda tudo. Na verdade, saí da minha cidade de 46 mil havitantes para uma de 13 milhões. Moro bem perto da USP e posso me dedicar mais aos estudos, mas viver em São Paulo é outro desafio enorme, mas estou gostando.

NP: Como calouro de Astronomia, como você foi recepcionado na USP?

Carlos Henrique: Muito bem. Só tenho que agradecer a todos os que estiveram comigo nesse início de vida acadêmica no Campus. Eu não conhecia nada e nem ninguém! A USP é dividida em unidades (institutos). O meu é o Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas – IAG (fotos). Estou na fase da integração ainda, porque cheguei tem pouco tempo, mas posso afirmar que estou no lugar onde queria estar.

NP: O que você recomenda aos jovens que ainda não fizeram o vestibular e pretendem seguir uma carreira?

Carlos Henrique: Estudar, estudar, estudar e pesquisar muito. Mas, também, tem que distrair. Eu estudava umas seis, sete horas por dia. Sempre tive meus amigos e uma vida social. A pandemia me isolou bastante, mas nunca deixei de interagir com as pessoas, estar com minha família e me divertir. Esses momentos precisam ser valorizados.

NP: O curso de Astronomia na USP tem duração de quatro anos. Você já pensou no que vai fazer depois da faculdade?

Carlos Henrique: Como o ambiente universitário estimula muito as pesquisas como eu já disse nessa entrevista, eu pretendo ser pesquisador na área e buscar no futuro cursar mestrado e doutorado em meu campo de conhecimento.

O Universo sempre desperta interesses e eu quero buscar entender melhor o lugar do ser humano no Universo e me dedicar ao estudo do Cosmos. O Brasil, ao contrário dos Estados Unidos, ainda forma poucos astrônomos, mas vou caminhando.

 

NP: Você é um jovem muito simpático, inteligente e esforçado pelo que conversamos nessa entrevista. Agradecemos desejando que Santo Antônio da Platina tenha seu primeiro Astrônomo.

Carlos Henrique: Agradeço a todos do NP pela entrevista e valorização das minhas conquistas. Se fui aprovado em duas faculdades e num lugar sonhado, devo a meus pais, devo a minha família, aos meus professores de Santo Antônio da Platina e de Jacarezinho e a meus amigos. Ninguém consegue nada sozinho e minha família foi a base de tudo. Sem meus pais, minha irmã, minha vó, minha tia, eu não teria chegado a lugar nenhum. Escreve isso aí por favor. Família é tudo!

 

 

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