Alep aprovou combate à pobreza menstrual

Mais de 374 mil meninas e adolescentes no Paraná poderão ter acesso a absorventes gratuitos

A Assembleia Legislativa aprovou nesta terça-feira, 31, em segundo turno o projeto de lei que prevê a distribuição de absorventes a mulheres em situação de vulnerabilidade, o que pode atender 374 mil meninas e adolescentes do Paraná. A proposta deve ser aprovada em mais um turno e em redação final, e depois segue para sanção do governador Ratinho Junior.

Para o deputado Luiz Claudio Romanelli (PSB) – coautor do projeto das deputadas Cristina Silvestri (CDN), Luciana Rafagnin (PT), Mabel Canto (PSC) e Mara Lima (PSC) – ao permitir o acesso das meninas ao uso gratuito do absorvente, o Paraná busca vencer a pobreza menstrual e promover a igualdade de gênero, sobretudo de adolescentes com idades entre 10 e 19 anos. O projeto é assinado ainda pelos deputados Goura (PDT), Michele Caputo (PSDB) e Boca Aberta Júnior (Pros)

No grupo das 374 mil meninas adolescentes, segundo a professora Fabiana Campos, estima-se que em Curitiba podem ser atendidas 35,5 mil mulheres nessa faixa etária. “Se considerarmos que, quem não tem acesso a absorventes, não frequenta a escola no período menstrual, temos estudantes que deixam de comparecer às aulas cinco dias por mês. Isso causa uma defasagem enorme de aprendizagem, o que aumenta a evasão escolar e, consequentemente, a desigualdade de gênero”, afirma.

Desigualdade — Na Câmara dos Deputados, projeto semelhante foi aprovado semana passada e, agora, a matéria passa a ser debatida no Senado Federal. Pesquisa do IBGE aponta que meninas entre 10 e 19 anos deixam de fazer atividade simples, como estudar, realizar afazeres domésticos, trabalhar ou até mesmo brincar, por problemas de saúde.

De acordo com o Instituto, nos 14 dias anteriores à data da pesquisa, 2,88% das meninas deixaram de fazer algumas dessas atividades por problemas menstruais. O índice de meninas que relataram não ter conseguido realizar alguma de suas atividades por gravidez e parto foi menor: 2,55%.

No Brasil, uma entre quatro estudantes já deixou de ir à escola por não ter o produto higiênico intimo. “Pelo menos 25% das meninas em período menstrual faltam às aulas por não ter condições de comprar os absorventes o que faz com que as mulheres ingressem mais tarde no mercado de trabalho”, explica Romanelli.

Ainda de acordo com o IBGE, a média de idade da primeira menstruação nas mulheres brasileiras é de 13 anos. Quase 90% têm essa primeira experiência entre 11 e 15 anos de idade o que mostra que a maioria absoluta das meninas passará boa parte da vida escolar menstruando.

A senadora Zenaide Maia (Pros-RN) estima um gasto de R$ 30 por ciclo menstrual. Segundo ela, como quase 13% da população vivem com menos de R$ 246 por mês, “menstruar pode ser caro”. “Quando você não tem dinheiro nem mesmo para comprar comida, itens de higiene como absorventes são luxo. Imagine essa realidade no Brasil da pandemia, que tem 19 milhões de pessoas passando fome”.

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