Audiência mostra panorama da geração de empregos no PR durante pandemia

Representantes de setores geradores de postos de trabalho falaram das ações para minimizar impactos da crise

Uma série de ações promovidas pelos setores produtivos da sociedade visou minimizar os profundos impactos causados pela pandemia do novo coronavírus na geração de empregos no Estado. Para oferecer um panorama destas atividades, a Assembleia Legislativa do Paraná realizou nesta quinta-feira (26) uma audiência pública para debater os efeitos da pandemia na criação de postos de trabalho no Estado. Proposto pelo deputado Homero Marchese (Republicanos), o encontro reuniu representantes da Secretaria de Estado de Justiça, Família e Trabalho (SEJUF), da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (FIEP), da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (FAEP), Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Paraná (Faciap), do SindAvipar e da Abrasel/PR, entro outros.

Segundo Marchese, o objetivo é entender o comportamento do emprego no Paraná desde 2020. “Decidimos dar uma especial atenção para a questão da geração de emprego, certamente um dos sintomas mais proeminentes para medir a saúde de uma economia. Fizemos uma análise do saldo de emprego, as admissões menos demissões, entre 2020 e março de 2022. Os resultados ajudam a evidenciar o impacto que a pandemia e as medidas de circulação trouxeram para a iniciativa privada”, explicou o parlamentar.

De acordo com o governo estadual, o Paraná foi o Estado que mais gerou empregos formais no Sul do País em fevereiro. Foram 28.506 postos de trabalho com carteira assinada no mês. O saldo é resultado de 169.870 admissões e 141.364 demissões. No acumulado dos dois primeiros meses do ano, o Estado tem saldo de 47.804 postos abertos, ficando atrás apenas de São Paulo (142.513) e Santa Catarina (51.906). O levantamento é do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), divulgado pelo Ministério do Trabalho e Previdência.

“Os números paranaenses estão melhores que a média nacional e evidenciam certa robustez do nosso mercado de trabalho. Temos uma cadeia produtiva ligada ao frango e ao porco muito forte. Ela gera emprego na criação do animal e principalmente no seu abate e processamento. Ao mesmo tempo, o setor de restaurantes, bares, hotelaria e eventos tiveram grandes perdas, evidenciadas pelos números. Essa é uma oportunidade, no entanto, de aprofundarmos essa discussão entre Governo e iniciativa privada para aproveitar melhor nossas potencialidades e minimizar nossas carências”, avaliou o parlamentar.

Durante a audiência, foi apresentado um detalhamento do saldo de vagas de empregos de 2020 até agora. O levantamento realizado pelo gabinete do deputado Homero Marchese apresenta dados de cada município e setor. Os números foram exibidos por Raphael Camargo, assessor do gabinete do parlamentar. Ele realizou a exposição da ferramenta Mapa do Emprego, criada para monitorar as vagas de emprego no Estado. “Nosso objetivo foi sistematizar os dados em uma ferramenta dinâmica e interativa. Com ela, é possível filtrar por ano, categoria e município, com detalhamento sobre os setores. Constatamos que o setor de serviços foi o que mais gerou empregos. Já o setor de hospedagem e da alimentação foram os mais afetados”, avaliou.

Representantes de setores geradores de postos de trabalho falaram sobre as ações para minimizar os impactos da crise durante audiência pública na Assembleia Legislativa.

Iniciativas

O secretário de Estado da Justiça, Família e Trabalho, Rogério Carboni, falou sobre a atuação do Governo para a geração de emprego no Estado. De acordo com dados da Secretaria, o Paraná é o quarto estado do País que mais gerou empregos em 2021 e o primeiro na região Sul. Além disso, o Estado possui a quarta menor taxa de desemprego no Brasil. “O desafio que temos agora é na capacitação das pessoas, pois temos vagas. Existem setores que estão muito estimulados. Por isso, temos bons programas de qualificação. O Paraná tem se destacado, mas sempre estamos abertos a novas iniciativas”, afirmou Carboni.

Suelen Glinski é chefe do Departamento do Trabalho da SEJUF e detalhou os programas lançados pela pasta antes, durante e depois da pandemia para minimizar os efeitos da crise. Entre os programas estão o Economia Solidária, o Cartão Futuro, o Emprega Mais Paraná, entre outros. “Um dos programas é o Recomeça Paraná. Durante a pandemia, muitas pessoas perderam o emprego e passaram a empreender. Por isso, passamos a atender esse profissional. Disponibilizamos linhas de microcrédito entre R$ 10 mil a R$ 20 mil. Foram mais de R$ 3 milhões disponibilizados”, revelou. Ela explicou que entre as próximas etapas do Programa estão uma parceria com o Sebrae para capacitação no empreendedorismo e ações com o Senac e a FIEP para disponibilizar cursos profissionalizantes “De todas as vagas abertas, conseguimos preencher cerca de 50%. Por isso, estamos oferecendo capacitação para as pessoas”, explicou.

Osni Manteli, coordenador da Câmara Setorial de Assuntos Trabalhistas, Sindicais e Federações do Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Paraná (Sindiavipar), abordou a importância da cadeia do frango para o emprego no Paraná. “Hoje a atividade gera mais de 90 mil empregos diretos e cerca de 1,4 milhão de empregos indiretos. Isso demonstra a relevância da cadeia. Somos líderes da produção nacional, com 36% do setor. Mesmo durante a pandemia, entre 2019 e 2021, tivemos um crescimento de 8,14%. Temos ações que buscaram dar apoio ao setor para que ele continue evoluindo, gerando empregos e riquezas”, disse.

Já Luis Fernando Menuci, presidente da Abrasel-PR, tratou dos desafios do setor de bares e restaurantes durante a pandemia. “Fomos um dos setores mais atingidos. Houve uma série de demissões e perda de empregos. Em torno de 30% das empresas foram fechadas. A situação ainda está difícil para o empresariado do setor. Agora voltamos a crescer, mas temos dificuldade de mão-de-obra. Também tivemos aumento de impostos, que trouxe dificuldades para o setor. Com restaurantes e bares fechados, ficou difícil pagar os tributos”, afirmou.

Helena Sperandio, responsável pelas relações governamentais da Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Paraná (Faciap), explanou a situação do emprego no comércio durante a pandemia. Ela apresentou uma pesquisa realizada pela Faciap com comerciantes para avaliar os impactos do lockdown no varejo. Os números são de setembro de 2021. De acordo com ela, 9,1% dos entrevistados reduziram postos de trabalho; já 70% não reduziram. Do total, 37% dos entrevistados pretendem contratar para o futuro. Entre os entrevistados, 54% tiveram redução das margens de lucros durante a pandemia. Já em relação aos créditos, 26% não precisaram de crédito; 9% conseguiram crédito em pacotes do Governo; 47% conseguiram em linha de crédito do mercado e 12% não conseguiram nenhum tipo de investimento. Na retomada, 62% pretender ampliar os negócios de alguma forma. Para isso, 43% vai procurar linha de crédito. Já 37% precisam de redução ou parcelamento de impostos.

Jeffrey Kleine Albers, coordenador do Departamento Técnico e Econômico do Sistema FAEP/SENAR-PR, falou sobre a manutenção de emprego na agricultura durante o período.  “O agronegócio é atividade que mais emprega, excetuando-se a administração pública. Em 2020, era um total de 451 mil empregos no setor. Isso representa 14% dos postos de trabalho no Estado. O setor é também um gerador de empregos indiretos. Traz mão-de-obra para o fornecimento de insumos, as agroindústrias, os serviço e comércio”, disse.

Por fim, Marcelo Alves, coordenador de negócios da FIEP, tratou do emprego na indústria. “A indústria sofreu bastante no período anterior, durante e no pós-pandemia. Em 2019, os números mostravam o Paraná com os melhores desempenhos do Brasil, mas com a pandemia tudo mudou. Logo no início da crise foram os meses mais agudos para a indústria. Tivemos que nos reorganizar e readaptar para não paralisar totalmente. Com isso, o setor teve uma rápida retomada de contratações a partir do mês de junho de 2020. No geral, tivemos saldos positivos”, analisou.

Representantes de setores geradores de postos de trabalho falaram sobre as ações para minimizar os impactos da crise durante audiência pública na Assembleia Legislativa.

Experiências

No cenário de incertezas, alguns exemplos se destacaram na geração de empregos. É o caso de Cascavel. Alcione Gomes, presidente da Fundação Tecnológica de Cascavel falou sobre a experiência do município. Gomes detalhou uma série de ações tomadas pela administração para isso. “Tomamos uma decisão de criar um programa de retomada econômica logo no inicio da pandemia, criando um processo para apoiar as empresas e evitar o fechamento delas, realizando a defesa dos empregos. Também tivemos atuações importantes com as cooperativas. Realizamos ainda a mudança do código tributário, fazendo a simplificação dele. Também simplificamos a abertura de empresas. Com isso, ganhamos quase nove mil empresas, o que refletiu na geração de empregos. Outra experiência foi a criação do Banco da Mulher, em que o município subsidia juros para empreendedoras”, relatou.

Já Hivonete Piccoli, secretária de Desenvolvimento Econômico da prefeitura de Cascavel, explanou as ações para continuação da geração de empregos. “Criamos uma Agência de Fomento, com olhar voltado para atração de novos investimentos. Essa implantação de buscar investidores de fora da cidade vai nos permitir dar continuidade na geração de novas vagas, com ações que possibilitem ter continuidade neste sentido”, complementou.

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