Assembleia Legislativa apoia Campanha Setembro Amarelo

Mês é dedicado às ações de prevenção ao suicídio e de valorização à vida

Dez de setembro é o Dia Mundial de Combate ao Suicídio e durante todo o mês de setembro campanhas são realizadas para alertar sobre o tema, que continua sendo um tabu e motivo de vergonha falar sobre ele, é o chamado Setembro Amarelo, mês da Campanha Internacional de Combate ao Suicídio e Valorização da Vida.

No Paraná, a lei 18.871/2016, que teve parte de sua redação alterada, através de proposta dos deputados Dr. Batista (DEM) e Mabel Canto (PSC), pela lei 20.229/2020 criou a Semana de Valorização da Vida e de Prevenção da Automutilação e do Suicídio, que deve ser realizada neste período que compreende o dia 10 de setembro.

O objetivo dessa legislação é o de promover a reflexão e a conscientização sobre essa temática, com o objetivo de dignificar avida em relação ao aumento do índice de suicídios e a automutilação, esclarecendo à população, através de palestras, debates e audiências públicas, sobre como identificar possíveis sinais suicidas e como auxiliar o acompanhamento de indivíduos que apresentem esse perfil, visando minimizar a evolução dos quadros que podem chegar ao suicídio.

São registrados, aproximadamente, 12 mil suicídios todos os anos no Brasil e perto de 1 milhão em todo o mundo, ou seja, uma morte a cada 40 segundos, segundo a Associação Paranaense de Psiquiatria.

A pedido da Associação, a Assembleia Legislativa do Paraná, por solicitação do deputado Alexandre Curi (PSB), estará iluminada com a cor amarela em apoio à campanha do Setembro Amarelo. Movimento que acontece em todo o mundo.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), 9 entre cada 10 fatos ocorridos poderiam ser evitados se essas pessoas tivessem ajuda, e é justamente esse alerta que o Setembro Amarelo traz: a necessidade de se falar sobre as doenças psíquicas que podem levar ao suicídio e, principalmente, provocar uma reflexão nas pessoas sobre as causas que geram o comportamento suicida, e como esse gesto extremo pode ser evitado com ações preventivas.

De acordo com o relatório “Suicide worldwide in 2019” publicado pela OMS, todos os anos, mais pessoas morrem como resultado de suicídio do que HIV, malária ou câncer de mama – ou guerras e homicídios. “Não podemos – e não devemos – ignorar o suicídio”, afirmou Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da Organização Mundial da Saúde.

A Campanha Setembro Amarelo tem por objetivo prevenir e reduzir estes números, e em trabalho conjunto entre Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), Conselho Federal de Medicina (CFM), Associação Paranaense de Psiquiatria (APPSIQ), se tem, no ano de 2021, a intenção de aumentar ainda mais a visibilidade sobre este relevante tema.

Pandemia – Outro fator preocupante é o prolongamento da pandemia da Covid-19, o que tem obrigado muitas pessoas a se isolarem com medo do contágio da doença. Reuniões entre familiares e com amigos deixaram de existir, viagens foram adiadas e isso fez com que as pessoas ficassem mais em suas casas, muitas vezes no seu “mundinho particular”, o que pode acarretar ainda mais em quadros de depressão e crises de ansiedade e pânico que podem levar essas pessoas ao suicídio. Sem contar que muitos tratamentos de saúde mental foram interrompidos nesse período.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil ocupa o primeiro lugar em casos de transtorno de ansiedade e o segundo lugar em casos de transtornos depressivos, que podem levar ao suicídio.

“Nossa atenção à prevenção do suicídio é ainda mais importante agora, depois de muitos meses convivendo com a pandemia de Covid-19, com muitos dos fatores de risco para suicídio – perda de emprego, estresse financeiro e isolamento social – ainda muito presentes. A nova orientação da OMS fornece um caminho claro para intensificar os esforços de prevenção do suicídio”, disse o diretor-geral da OMS.

Preconceito – O presidente da Comissão de Direitos Humanos, da Assembleia Legislativa do Paraná, deputado Tadeu Veneri (PT), realizou no final do mês de agosto uma audiência pública virtual onde o tema suicídio foi debatido. Para Diógenes Martins Munhoz, diretor da Associação Brasileira de Estudos e Prevenção ao Suicídio, o preconceito sobre o tema é a principal causa para o aumento dos números de casos.

A psicóloga e especialista no tema, Karen Scavacini, lembra “que o suicídio tem relações com muitos fatores: relações sociais, culturais, econômicas, psicológicas e situacionais e a pandemia se tornou um destes fatores, como dentro do comportamento suicida”, indicou.

A especialista faz parte de uma organização internacional que abrange 41 países que estuda os números da Covid-19 e a relação da pandemia com os casos de suicídio. O objetivo é utilizar estratégias de prevenção antes e depois que a situação melhorar ou se resolver.

Alguns fatores como o isolamento social, estresse dos profissionais de saúde e o distanciamento físico podem ter contribuído para o crescimento dos casos. “O impacto tem sido muito grande, inclusive com a desativação de serviços psiquiátricos, o que comprometeu o tratamento de pessoas propensas ao suicídio”, ressaltou.

A audiência pública pode ser assistida no link: https://youtu.be/NJD__WyCcQE

Ajuda – De acordo com o Centro de Valorização da Vida (CVV), as razões podem ser bem diferentes, porém muito mais gente do que se imagina já teve pensamentos suicidas.

Você sente que precisa de ajuda e não sabe por onde começar? O CVV oferece atendimento gratuito por telefone. Basta ligar 188 e você será atendido de forma anônima, 24 horas por dia, em todos os dias do ano.

Uma cartilha confeccionada a pedido da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) sobre prevenção ao suicídio pode ser acessada no link: https://bit.ly/3tazC9Q e mais informações sobre o Setembro Amarelo podem ser conferidas no site oficial da campanha: https://www.setembroamarelo.com/

 

 

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