Família vai ao TJ para reaver fazenda ocupada

Cerca de 300 famílias do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) permanecem acampados na Fazenda Monte Verde, em Jundiaí do Sul. A área de 1.389 hectares foi ocupada na madrugada do último dia 23. Esta é a terceira ocupação da propriedade pelo mesmo grupo. Nas últimas duas vezes, em 2000 e 2006, a fazenda foi desocupada por determinação judicial. Desta vez, no entanto, a Justiça ainda não concedeu a liminar para a reintegração de posse.
Diante do que considerou uma omissão do juiz responsável, a sobrinha e advogada do proprietário da fazenda, Anna Carolina Bandolin, informou que esta semana vai protocolar no Tribunal de Justiça, em Curitiba, um recurso de agravo de instrumento, para evitar mais prejuízos. Segundo ela, recentemente, os sem-terra entraram na sede da propriedade e saquearam vários pertences, inclusive com ameaças e agressões ao caseiro.
Ela afirma que a propriedade não pode ser desapropriada porque mais de 30% da área é coberta por mata nativa, que serve como fonte de pesquisa científica para universidades e institutos. Anna Carolina afirma ter um documento do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), de março de 1998, que garante que a área não pode ser desmembrada para fins de desapropriação.
“Trata-se de um importante patrimônio ambiental, onde estão localizadas pelo menos três nascentes de água potável de boa qualidade. Caso essa fazenda seja objeto de reforma agrária, conforme requer o MST, será cometido um crime ambiental”, defende.
Para o MST, a área é considerada improdutiva. Segundo o movimento, a área é arrendada a terceiros, que exploram de forma indevida, provocando danos ao meio ambiente. Os sem-terra esperam a visita do Incra, que deve fazer a inspeção no local.
A reportagem entrou em contato com o Incra no início da semana. De acordo com a assessoria de imprensa do órgão, não existe nenhum processo em andamento para a desapropriação do imóvel. Ainda segundo o Incra, somente após a vistoria, que não tem data definida, será possível ter uma análise realista da situação. No entanto, com base em informações preliminares, há interesse prévio na propriedade para fins de reforma agrária. (texto: Celso Felizardo)

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