Feder: país merece ser top na educação

Secretário da Educação revela tudo sobre si mesmo, seu futuro no Paraná e no Brasil

Renato Feder é apaixonado por Educação. Não há dúvida. E parece transpirar, viver e inspirar a todos em seu entorno com olhos brilhantes, inequívoca expertise, fala calma e concatenada e quase sempre sorrindo.

Ele comanda a pasta mais difícil e delicada do governo estadual com mais de 1,07 milhão de alunos, e gerencia cerca de 90 mil servidores.

O secretário recebeu o npdiario nesta semana, para uma entrevista exclusiva em seu gabinete, em Curitiba.

Na parte final, recebeu também –  e junto com a reportagem – a Diretora do Colégio Estadual Tiradentes  (Santo Antônio da Platina) Lucila Cristina de Oliveira Machado da Silveira, com a qual debateu o assunto por um bom tempo, evidenciando sua paixão pelo tema e suas complexas ambiguidades e desafios.

Feder, é fato, manifesta a cada segundo um arrebatamento pela Educação.

Como você conheceu o governador Carlos Massa Ratinho Júnior?

Um amigo em comum me apresentou para ele. Então, eu já vinha aqui para o Paraná com frequência e eu tinha interesse por trabalhar com Educação. Ele (Ratinho Júnior) pré-candidato a governador. E aí então, esse amigo apresentou a gente e começamos a conversar e ele conheceu a minha história.

Eu tenho dois lados. Um lado empresário e outro educador. Então, meu primeiro trabalho foi ser professor. Não tinha nem 20 anos e já dava aula. Eu amava ser professor. Eu dei aula de 1999 até 2010. Eu dei aula por 11 anos. Depois, fui diretor de escola por mais 8 anos. E, após trabalhei na Secretaria de Educação de São Paulo. Eu e o Ratinho sempre conversávamos sobre Educação. Certa vez ele me disse: você seria um bom secretário aqui no Paraná.

Você é casado, tem filhos, moram onde?

Sou casado, tenho três filhos maravilhosos, de 9, 7 e 5 anos. Moramos todos em Curitiba.

Você tem religião? Torce para qual time?

Eu sou judeu e torço para o São Paulo.

Já se ambientou em Curitiba?

Muito, muito! No começo, nem tanto. Mas, é interessante. Eu comecei a morar em Curitiba em 1º de janeiro de 2019. Eu vinha para cá muito assustado pelo que falavam, de que o curitibano é um povo frio e tal. Mas, eu não achei isso. Pelo contrário, fui muito bem recebido, fiz amigos aqui, bons amigos. Eu sou muito feliz aqui em Curitiba. Estou falando de coração. Tenho um grupo maravilhoso de amigos, muito forte!

Eu vou fazer pergunta que o Paraná quer saber: O que lhe move? Não é dinheiro. Você é um rapaz bem apessoado, rico, jovem, saudável, uma pessoa feliz. É empresário. A gente percebe no brilho nos seus olhos. O que lhe move? Qual que é o seu principal desafio profissional?

Acredito que o Brasil deva ser uma potência em Educação e eu quero fazer parte do time que vai levar o país a ser uma das melhores nações do mundo em Educação Pública. O Paraná já está na frente no país.

Essa é a minha missão de vida. O Brasil já se mostrou, em áreas além do futebol e do carnaval, que pode dar show. No agronegócio, o Brasil dá show. No empreendedorismo, o Brasil dá show. No marketing, Brasil dá show.

Na Educação, o Brasil merece ser top, estar na frente! A gente tem esse potencial, de ter uma Educação Pública top. Não tem porque não ter. E eu quero fazer parte desse time que vai levar o Brasil até lá. A ter escolas públicas tão boas quanto a Coréia do Sul, as de Cingapura, da Finlândia, do Canadá… A gente merece isso e eu acredito que é o destino. O meu destino é fazer essa trajetória.

Você pretende continuar secretário?

O meu líder, a pessoa que investiu, que acredita em mim, é o governador Ratinho Junior. Então, todos os movimentos, eu vou fazer alinhado com ele. Eu tenho uma admiração, um carinho muito grande por ele. E estarei com ele enquanto me quiser por perto dele. Se ele entender que num eventual segundo mandato, que eu sou uma boa peça aqui, eu estarei aqui com ele, na maior alegria, com a maior satisfação.

E essas pequenas indisposições pontuais, como ocorreu recentemente com o deputado Romanelli (PSB) por conta da exoneração da presidente do Conselho Estadual de Educação, Maria da Graça Figueiredo Saad, que foi substituída pelo ex-reitor da UEPG (Universidade Estadual de Ponta Grossa) e ex-secretário de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior , João Carlos Gomes?

O Romanelli é uma liderança extremamente importante para o Paraná. Conhece várias áreas do Estado, incluindo a Educação. Eu admiro muito o trabalho dele e quando a gente precisa conversar sobre algum assunto, nossa conversa sempre constrói áreas comuns. É uma pessoa fácil de trabalhar. Ele ficou chateado com a mudança no Conselho, mas é o direito dele, de ficar chateado. Mas, quando tem que trabalhar junto, a gente trabalha tranquilamente.

Qual é o legado que você quer deixar aqui para Educação do Paraná?

Valcir, tenho alguns. Algumas coisas que a gente construiu, eu acho que estão bem construídas. Essa é uma questão bem pedagógica.

Por exemplo, a formação de professor. A gente tem um curso chamado Professor Formador e ele está sendo maravilhoso. Então, esse é um legado que eu gostaria que continuasse. A prova para professor PSS (Processo Seletivo Selecionado), também uma ferramenta, obviamente que foi difícil implantar, houve resistência, mas ela melhora a qualidade da educação. Ela é um instrumento importante. Não é o único, mas a prova, o conhecimento técnico na disciplina é muito importante atualmente.

Hoje, no Paraná a gente contrata professores 100% através de prova. Isso é muito importante. Outro legado é a Prova Paraná, que auxilia o professor a saber o que o aluno aprendeu. A gente dá a prova com frequência para o aluno, que aprende e exercita. Isso é muito importante, porque a vida é assim, cheia de provas.

Então, essa atenção, essa concentração, essa capacidade do aluno de colocar o seu conhecimento no papel é muito importante. Porém, mais importante, é a gente mostrar para o professor, perguntar para professor: o seu aluno está aprendendo essa determinada matéria ou não está?

E para finalizar, tem a questão da frequência escolar, os indicadores mais importantes na educação e onde a academia da pedagogia mais peca. Quando você estuda os livros, você lê teses de doutorado, pouco se fala em frequência escolar. A quantidade de horas influencia. Se o professor tem mestrado ou doutorado influencia. O entorno da escola influencia. A estrutura física também. Tudo isso é importante e é muito estudado.

Mas, a frequência escolar é o indicador mais importante, o indicador chave, porque ele diz na hora. É como um paciente com demência no médico. Qual que é a primeira coisa que ele vai medir? A pressão e o batimento cardíaco. A frequência escolar é como o seu batimento cardíaco. Uma escola com 98% de frequência diária dos alunos, muito provavelmente está ótima. Uma escola em que 70% dos alunos vão todos os dias, muito provavelmente, quase certeza, aquela escola está cheia de problemas. E aí você vai intervindo e vai melhorando. O uso da frequência escolar como instrumento pedagógico é algo que eu espero que seja um legado empregado também.

A questão dos colégios cívico-militares, havia falta de policiais para assumir as funções. Como ficou essa situação?

Nós fizemos uma consulta popular com até 200 escolas. Elas foram consultadas e aprovadas pela comunidade e agora cabe ao Estado implantar. Nesse processo de implantação, a gente foi selecionar os policiais da reserva. Quando a gente foi selecionar esses policiais, pelo fato de o processo seletivo ter sido feito na virada do ano, o edital foi lançado em dezembro. Dezembro e janeiro são meses em que muitas pessoas estão com outros planos. Não é o momento mais ideal para fazer o edital. Então a gente fez num momento não ideal, que é dezembro e janeiro. E, além disso, teve uma onda muito forte da Covid-19, o que prejudicou o processo seletivo. A gente encerrou o primeiro processo, colocou as escolas todas possíveis onde já estão os policiais e para aquelas que ainda não têm, que é um número reduzido, há um outro edital, e aí vamos completar as escolas e os policiais que faltam nas escolas. Vamos ajustar as coisas.

E quanto às aulas presenciais? Metade quer, metade não quer, como você está administrando isso?

Estamos abrindo as escolas considerando alguns pontos. Para a criança, é importante abrir. A criança precisa da escola aberta. Essa é a crença da Secretaria de Educação. A gente precisa abrir a escola pela criança. Esse é o primeiro ponto.

A gente está começando esse processo de reabertura das escolas e escalonado. É um processo gradual. Assim, a gente pode ajustar eventuais problemas pontuais encontrados nessa abertura gradual. É mais lógico fazer uma abertura gradual. Estamos começando por cidades onde não vamos ter problemas com transporte escolar, em alinhamento com as prefeituras. Não adianta abrir a escola estadual se muitos alunos precisam de transporte escolar e a Prefeitura não vai fornecer. A preferência é por locais em que as escolas municipais que voltaram e aí a gente abre as estaduais nesses municípios, junto com as municipais. O segundo o critério é abrir escolas onde tem muito aluno que utiliza material impresso, porque são os que mais precisam. E o terceiro critério é a questão da Covid-19.

Então, em áreas que estão um pouco menos afetados, a gente está abrindo. Em lugares onde há muitas pessoas contaminadas, não abre.

Qual o seu hobby, além de fazer caminhada com o amigo e vizinho Valdemar Bernardo Jorge, secretário estadual de Planejamento?

Eu gosto de correr. Eu faço muita corrida, muita caminhada, e eu gosto de ler. Eu leio muito. Acabei de ler o livro do Michelangelo “Agonia e Êxtase”, de Irving Stone, que conta a história da vida dele. Recomendo essa biografia. É uma leitura maravilhosa.

E o Ministério da Educação? O que efetivamente aconteceu em junho do ano passado? Como é que você e a sua família absorveram?

Foi muito bom. O Ratinho falou assim: Renato, recebi a ligação do presidente Bolsonaro. Ele queria a minha autorização para entrevistá-lo para ministro da Educação. Eu respondi: governador, com a sua benção, com o seu acordo, eu vou para a entrevista. Porque ele é o meu líder. E ele é líder mesmo, que nos inspira, nos move, nos permite fazer as políticas.

Então, primeiro foi uma coisa alinhada com o governador Ratinho Junior. Segundo, fazendo um balanço, acho que foi bom. Porque projetou o Paraná e projetou a Educação Pública do Paraná. O Paraná hoje tem a melhor Educação do Brasil. Se fosse feita a prova do Ideb( Índice de Desenvolvimento da Educação Básica). hoje, a gente estaria melhor na Educação. Foi uma projeção e isso é bom.

Acabou não dando certo, o presidente Bolsonaro escolheu outra pessoa. Mas, eu acho que, no cômputo geral, foi bom. O Paraná já é terceiro do Brasil no ensino médio. Passamos São Paulo, que é um estado também referência. O Paraná hoje é um estado que todo o Brasil sabe que tem uma Educação Pública de excelente qualidade, que tem ferramentas e o fato de eu quase ter sido ministro ajudou a defender a Educação Pública do Paraná.

FOTOS: VALDIR AMARAL/ESPECIAL PARA O NPDIARIO

A Secretaria de Estado da Educação tem por objetivo a definição e a execução da política governamental no setor de educação básica e de educação profissional, visando à melhoria das condições de vida da população.

Compete à Secretaria adequar a oferta à demanda por escolaridade básica de forma prioritária e por escolaridade profissional, de acordo com a política governamental, de maneira autônoma ou em cooperação com os municípios, primando-se pela qualidade dos resultados.

Renato Feder, 42 anos, nasceu em São Paulo (SP), é mestre em Economia pela Universidade de São Paulo (USP) e graduado em Administração pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). É secretário da Educação do Paraná, onde comanda a Educação. Na Educação Pública atuou também como assessor especial da Secretaria de Estado de São Paulo.

Renato foi professor, gestor de escolas e diretor por mais de dez anos, atuando desde a Educação Básica até a Educação de Jovens e Adultos. Feder também esteve à frente das aulas de Economia na Universidade Mackenzie, onde adquiriu vasta experiência com o Ensino Superior.

Se dedicou também em experiências internacionais na Educação, tendo visitado e se aprofundado no funcionamento e gestão de escolas e sistemas educacionais de países como China, Coreia do Sul, Japão, Canadá, Israel, Finlândia e EUA.

No setor privado, Feder consagrou-se como gestor na posição de proprietário da Multilaser, na qual está licenciado. Transformou a empresa familiar em uma das gigantes do setor de tecnologia no Brasil, com faturamento de anual R$ 3 bilhões e mais de quatro mil funcionários.

Nos últimos anos aliou o seu poder de gestão e decisão à grande paixão pela educação, com a vasta experiência como professor e o faro para tecnologia,  e modernizou a Educação do Paraná. Em menos de um ano implementou projetos revolucionários no estado, como o moderno sistema de chamada on-line, para reduzir a evasão e envolver ainda mais a família na Educação dos mais jovens. A implementação do Prova Paraná também foi destaque em todo Brasil, sendo capaz de aferir a evolução da aprendizagem dos mais de 1 milhão de alunos a cada dois meses.

Renato Feder notabilizou-se por criar o Aula Paraná, o mais completo sistema de ensino à distância do Brasil para enfrentamento da pandemia do Covid-19. Implementado em tempo recorde de 15 dias, o sistema contempla três canais de TV aberta, um aplicativo com mais de 1 milhão de downloads e aulas virtuais pelo Google Classroom e Google Meet, tudo com internet gratuita aos 1,07 milhão de estudantes e cerca de 90 mil profissionais da educação.

Como secretário da Educação Renato também introduziu no currículo do Paraná o que há de mais moderno no mercado: aulas de programação de computador, empreendedorismo e educação financeira, permitindo que milhares de jovens saíssem da educação básica direto para o mercado de trabalho.

Assumiu a Secretaria de Estado da Educação do Paraná em 2019, no início do governo Ratinho Júnior.

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