UTF: software ajuda defesa ambiental

Estudo resultou na criação de aplicativo que monitora ocorrência de pragas e doenças nas lavouras de soja

O deputado Luiz Cláudio Romanelli (PSB) destacou nesta quarta-feira, 19, o trabalho do pesquisador Gabriel Costa Silva (foto) , da UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná), campus Cornélio Procópio (foto), no desenvolvimento do software que ajuda na preservação ambiental e na produção de alimentos mais saudáveis, com uso reduzido de inseticidas e fungicidas em lavouras de soja. Os primeiros experimentos aconteceram em 2018 e já apresentam resultados satisfatórios.

O parlamentar reafirmou a importância das escolas de ensino superior para o desenvolvimento de pesquisa e tecnologia no desenvolvimento do Norte Pioneiro e citou os trabalhos realizado pela Uenp (Universidade Estadual do Norte Pioneiro), IFPR (Instituto Federal do Paraná) e a UTFPR que consolidam a região como polo estadual de educação.

“Nos últimos anos, a contribuição das instituições de ensino superior do Norte Pioneiro na área de pesquisa e desenvolvimento reforçam a importância do investimento em educação. Centenas de acadêmicos e pesquisadores empenhados em criar produtos e serviços que melhoram a qualidade de vida da região, do Estado e do País”, afirma o deputado.

Desenvolvimento — Gabriel Costa Silva iniciou os primeiros estudos em 2017, quando ainda atuava no campus de Dois Vizinhos. O software desenvolvido ajuda na redução do uso de inseticidas e fungicidas nas lavouras de soja. Junto com os professores Almir Gnoatto e Alfredo de Gouvea, o professor da UTFPR iniciou a pesquisa em atendimento a um pedido do IDR (Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná), que reúne o Iapar e Emater, que procurou a universidade e relatou as dificuldades no acompanhamento de análise e dados do manejo integrado de pragas e doenças da soja, como o MIP (Manejo Integrado de Pragas) e o MID (Manejo Integrado de Doenças).

Em 2018, o pesquisador foi transferido para o campus Cornélio Procópio, onde reafirmou a parceria com o IDR e incluiu o Senar (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural). Posteriormente, o estudo ganhou apoio da Embrapa Soja, que ajudou no desenvolvimento de um software, que teve início ainda no primeiro semestre de 2018.

O estudo resultou na criação de um aplicativo que monitora a ocorrência de pragas e doenças nas lavouras de soja. “Os dados são coletados em campo pelos técnicos do IDR ou instrutores do Senar e esses dados são inseridos no aplicativo, o qual permite o acompanhamento por meio de um painel de controle. O painel gera várias informações úteis para apoiar a tomada de decisão do técnico ou instrutor”, explica Gabriel Silva.

No ano passado aconteceram os testes do primeiro protótipo do aplicativo, que apresentaram resultados surpreendentes com a melhora significativa do acompanhamento do MIP/MID, conforme comentários dos técnicos do IDR. Com isso, o Senar adotou o aplicativo na safra atual (2020/2021), em mais de 400 propriedades rurais no Paraná.

Gabriel Silva acrescenta que o uso do aplicativo aumenta consideravelmente a eficiência no acompanhamento do MIP/MID. Segundo ele, o processo de consolidação dos dados chegava a durar seis meses, e hoje é feito em tempo real. “A eficácia também melhorou, uma vez que o aplicativo valida os dados já no lançamento, o que evita informações incorretas, além de revelar possíveis problemas na execução do MIP/MID em uma determinada lavoura”.

Inovação — Romanelli acredita que o investimento em inovação e pesquisa promovido pelas escolas de ensino superior garante que a tecnologia do Paraná poderá ser disponibilizada para outros estados, atendendo milhares de produtores em todo o Brasil. O deputado refere-se ao fato de o projeto do campus de Cornélio Procópio hoje estar em expansão. A previsão é de que o aplicativo seja utilizado também no monitoramento de outras culturas, como feijão e milho. “Está em desenvolvimento também em uma versão melhorada para dispositivos móveis”.

Dados divulgados por técnicos do IDR e pela UTFPR apontam que os resultados demonstram uma redução de até 50% nas aplicações de inseticidas nas lavouras com o MIP e de 35% do uso de fungicidas com o uso do MID, mantendo a produtividade das lavouras. Ambos os manejos são usados para eliminar as aplicações preventivas de agrotóxicos e estabelecer parâmetros para que os produtos sejam usados apenas quando houver risco para as lavouras.

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