Loteamento clandestino é alvo de revolta em Joaquim Távora

Drama dura mais de uma década e moradores alegam descaso da Prefeitura

Moradores do Conjunto Green Valle, em Joaquim Távora, estão revoltados por conta de um drama que dura mais de dez anos. Mais de 100 famílias adquiriram lotes urbanizados, à época, autorizados pela prefeitura, segundo relato de alguns moradores, mas agora descobriram serem terrenos clandestinos.

Os moradores Jessé da Silva Leite (sargento da Polícia Rodoviária Estadual na Unidade Operacional de Santo Antônio da Platina), José Marcos Calesto e Genival Strombeck , entre outros, procuraram o npdiario para relatar o drama que vivem, com a ameaça de perda dos imóveis e dos investimentos feitos. “Quando compramos esses lotes, não havia ainda nenhuma casa construída e toda a documentação apresentava que tudo estava regular”, informar Leite, que é proprietário de um terreno, onde construiu a casa onde mora com a família.

O drama aumentou nos últimos dias, quando a Prefeitura decidiu fechar um dos acessos ao bairro, alegando que “a rua não existe, por ser propriedade particular”. A reportagem visitou o local e constatou que a Prefeitura iniciou uma obra de fechamento da passagem pela rua, o que obriga os moradores a acessar um caminho diferente e um pouco mais distante. Foi possível observar, no entanto, caminhões a serviço da Prefeitura trafegando pela rua, supostamente inexistente.

Leite alega que o executivo tinha conhecimento de que o loteamento era irregular, mas não fiscalizou nem proibiu a venda dos terrenos e permitiu que os imóveis fossem construídos normalmente. “Pelo contrário, nos contratos de compra e venda, registrados em cartório, contavam o CNPJ da empresa e a informação de que os terrenos estavam legalizados e licenciados pela Prefeitura”, denuncia.

Por conta disso, passados dez anos, os moradores ainda não contam serviços básicos, como luz, água e esgoto, energia elétrica e asfalto. “Muitos acessos estão interditados e, embora as primeiras negociações tenham sido há mais de dez anos, a Prefeitura somente agora informou que estamos morando em lotes clandestinos”, lamenta.

Os proprietários ainda não puderam legalizar a compra dos terrenos, embora algumas residências já estejam construídas. Segundo Leite, eles têm recibos de compra e venda dos terrenos, registrados em cartório, mas não podem escriturar o imóvel, pelo fato de o loteamento ser “clandestino”.

Ainda de acordo com Leite, as venda de novos lotes estão suspensas, até que uma solução seja encontrada.

O policial rodoviário informou ainda que, há um ano, os moradores fizeram um abaixo-assinado e protocolaram no Fórum da Comarca de Joaquim Távora, mas nada ainda foi resolvido. “A gente quer uma solução para caso. Afinal, temos família e investimos nossas economias para construir uma casa e, da forma como está, corremos o risco de perder todos os investimentos feitos”, desabafa.

O npdiario entrou em contato Evandro Teles e Marcelo Teles, proprietários do loteamento e responsáveis pelas vendas dos lotes aos moradores por aplicativo de mensagem, Evandro Teles agendou duas vezes uma entrevista, mas em nenhuma das vezes, respondeu ao contato. O prefeito Gelson Mansur também foi procurado, mas não retornou as ligações.

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