Crime em Ibaiti foi premeditado, diz delegado

CABELEIREIRA ERA DEVOTA DE NOSSA SENHORA, TINHA TRÊS FILHOS E DUAS NETAS COM O ASSASSINO;  FORAM MAIS DE DEZ FACADAS

Exclusivo: “A frieza e o cinismo do assassino, a crueldade como o crime ocorreu e a banalidade na motivação me impressionaram de forma muito forte…Algo que nos meus 23 anos atuando na área de segurança pública jamais havia visto”.

A declaração dada ao npdiario na tarde deste domingo, dia 12, é do delegado de Polícia Civil, Isaías Fernandes Machado (foto abaixo), referindo-se ao feminicídio ocorrido sábado em Ibaiti. Ele atendeu o caso e ouviu o depoimento do indivíduo e das testemunhas.

Wanderson Lemos (foto principal), 44 anos, estava na residência da ex-esposa Monica Moreira (fotos), 39, desde o início da tarde do último sábado. Em certo momento, iniciou-se uma discussão entre as partes, culminando na ação covarde e fatal.

Ele, que era taxista e conhecido como Polaco, desferiu mais de dez golpes de faca contra ela. Familiares conseguiram desvencilhar o autor da mulher para prestar os primeiros socorros, sendo socorrida pelo SAMU(Serviço de Atendimento Médico de Urgência) e levada ao hospital, porém, entrou em óbito devido aos graves ferimentos.

O autor foi detido por um genro num primeiro momento, até que chegou um policial militar que estava de folga e reside próximo ao local e efetuou a prisão. Lemos foi levado para a sede da 3ª Cia da Polícia Militar e em seguida para a Delegacia.

Dr. Isaías disse para a reportagem que, em muitos casos, a psicopatia é usada para se amenizar a pena, “o cara agiu muito friamente; esperou os residentes saírem para a área fora – enquanto a filha e o genro do casal chegavam do Campinho(povoado rural de Ibaiti)  para a visita do fim de semana na casa da mãe – antes de atacar a vítima sozinha na cozinha“, detalhou o delegado.
A motivação foi possessividade e não aceitação do final do relacionamento.

A Civil esteve no local, apreendeu a faca utilizada no crime, levantou algumas informações com familiares e testemunhas e verificou que, a moça de março de 2021 até final de maio do corrente ano, registrou 3 boletins de ocorrência por ameaça contra o ex-marido, porém, nunca representou criminalmente, solicitando apenas Medidas Protetivas de Urgência.

Em todas as situações em que acionou a polícia, o autor sempre conseguiu empreender fuga e o fato da vítima não ter representado, o manteve em liberdade. No dia 28 de maio deste ano, a vítima procurou o Judiciário e pediu a revogação das medidas de proteção e desde então, ele estava podendo se aproximar de Mônica.

No interrogatório dele, Lemos disse que a ex-mulher quem pegou a arma branca para investir contra ele, e que caiu de barriga em cima da faca, “em que pese testemunhas oculares terem visto ele em cima dela, deitada na cozinha, desferindo mais de dez golpes na região do tórax… O genro foi quem tirou o Wanderson de cima da Mônica. A filha relatou que tentava estancar o  sangue que jorrava das perfurações, a principal no coração. A mãe ainda ficou mais ou menos cinco minutos agonizando até morrer, ainda na residência. O SAMU já a levou sem sinais vitais, segundo depoimentos de seis testemunhas ouvidas”, contou o policial.

Antes, já tinha tentado matar a mulher pondo veneno no café há cerca de um ano, a mulher precisou ser internada para lavagem intestinal, em risco de morte.

A cabeleireira morreu logo após ter atendido a última cliente da semana,  na sua própria casa, em que morava com uma filha e uma irmã. Familiares alegaram que a Mônica retirou a medida protetiva porque o ex-marido implorou para ser contratado numa empresa que exigia bons antecedentes criminais.
Eram sete meses separados, mas a vitima permitia ele visitar a filha.
“Foi um crime bárbaro, premeditado, sem chance de defesa…Merecia pena de morte”, desabafou dr. Isaías, indignado.

Veja também a primeira matéria sobre o feminicídio: https://www.npdiario.com.br/capa/mata-ex-mulher-com-15-facadas-em-ibaiti/

 

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