NP ajuda Iapar na pesquisa de novas cultivares de cafés gourmets

Consumo de café especial está em expansão no Brasil e no mundo

 

Pesquisadores do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) estão envolvidos em pesquisas para melhoria da qualidade do café paranaense. O foco do trabalho são variedades que combinem alta produtividade, qualidade de bebida especial e diferenciada e resistência às pragas e doenças.

Segundo a líder do Programa Café do Iapar, a pesquisadora Patrícia Santoro, o consumo de cafés especiais está em plena expansão no Brasil e no mundo, tanto para consumo doméstico, quanto em cafeterias. “No Brasil, o consumo de cafés superiores e gourmets já chega a quase 20% do total consumido, com um crescimento de mercado superior a 100% nos últimos três anos”, destaca a pesquisadora.

De acordo Patrícia, o consumidor que busca um café de melhor qualidade está disposto a pagar um preço mais alto, o que pode ser um bom negócio para o cafeicultor, que vai receber mais pela sua mercadoria. Um bom resultado desse trabalho foi a caracterização do café do Norte Pioneiro para a obtenção de Indicação Geográfica, uma das cinco existentes no Brasil. “A Indicação Geográfica atribui identidade própria ao café, agregando valor ao produto e dando visibilidade à região”.

“Estamos desenvolvendo uma cultivar com sabor de cupuaçu, limão siciliano e jasmim derivada da famosa cultivar Geisha, que possui um preço de mercado de cinco a dez vezes mais caro do que os cafeeiros arábicos tradicionais”, disse Sera. Ele ressalta, entretanto, que essa futura variedade deve ter 40% do potencial produtivo de uma cultivar tradicional, o que será compensado pelo alto preço da saca.

Para levar essas tecnologias ao produtor rural e ao consumidor, o Iapar organiza anualmente, junto à Câmara Setorial do Café e outras instituições parceiras, como a Emater-PR, dois concursos de cafés especiais: Concurso Café Qualidade Paraná e o CUP de Cafés Especiais das Mulheres do Norte Pioneiro. Esses concursos buscam divulgar os melhores cafés e reconhecer o trabalho dos agricultores em produzir cafés de qualidade superior.

Estamos desenvolvendo uma cultivar com sabor de cupuaçu, limão siciliano e jasmim derivada da famosa cultivar Geisha, que possui um preço de mercado de cinco a dez vezes mais caro do que os cafeeiros arábicos tradicionais

Lotes selecionados de cafés da agricultura familiar paranaense estiveram à venda em 2018, no 2º Cup das Mulheres do Café do Norte Pioneiro, em leilão dirigido a cafeterias, torrefadoras e exportadores programado na sede do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), em Londrina.

Foram oferecidos 55 lotes de 30 kg produzidos, todos eles previamente avaliados por um júri especializado segundo os parâmetros da Associação Americana de Cafés Especiais (SCAA, na sigla em inglês). Os compradores tiveram à disposição amostras para degustação no local e puderam oferecer lances diretamente às cafeicultoras participantes.
O objetivo do evento é divulgar os cafés das produtoras integrantes do Projeto Mulheres do Café, que busca melhorar a qualidade do produto, agregar renda às famílias e valorizar o trabalho feminino.A ação é desenvolvida pela Emater-PR, Iapar, Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) e Aliança Internacional das Mulheres do Café (IWCA Brasil).

NORTE PIONEIRO – Próximo ao Trópico de Capricórnio e com solo e clima propícios à produção de bebidas especiais, o Norte Pioneiro do Paraná é uma das cinco regiões brasileiras certificadas como Indicação Geográfica de Procedência (IGP) de café, juntamente com o Cerrado Mineiro, Mantiqueira de Minas, Alta Mogiana e a Região de Pinhal.

O pesquisador do Iapar Gustavo Sera explica que existem cultivares de café reconhecidas no mercado consumidor, mas são pouco produtivas. “Nosso objetivo é desenvolver variedades que tenham um diferencial de preço devido à qualidade de bebida superior e, além disso, combine boa produtividade”, salienta Sera.

Para atingir essas metas, o Iapar vem trabalhando em algumas frentes, como em sistemas agroflorestais com a junção de cafés e árvores, como a seringueira. Esse consórcio busca melhorar a qualidade física dos grãos e da bebida por meio de mudanças no microclima, com redução da temperatura por causa do sombreamento.

“Estes estudos, além do clima, envolvem avaliações sobre a nutrição e fisiologia das plantas, fertilidade do solo, incidência de pragas e doenças, fatores que podem ter influência direta ou indireta sobre a qualidade final do café”, explica a pesquisadora do Iapar Maria Brígida Scholz.

Sera vem trabalhando no melhoramento genético convencional por meio do cruzamento. “Dentre os cafeeiros que estamos utilizando para transferir a qualidade de bebida especial e diferenciada estão cafeeiros silvestres da Etiópia e do grupo Sarchimor (Villa Sarchí x Híbrido de Timor)”. O objetivo, de acordo com ele, é desenvolver variedades no Iapar que unam atributos desejáveis para qualidade de bebida como aroma, sabor e acidez, com sabores e aromas exóticos como cupuaçu, jasmim, mirtilo, morango e maracujá.

Veja também:  https://npdiario.com/cidades/cafe-pro-tork-e-grupo-2-irmaos-iniciam-exportacao-para-china/

 

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